Indonésia desenvolve células solares inspiradas na fotossíntese de bactérias
Inovação utiliza pigmentos de bactérias não patogênicas para captar luz
A Indonésia está desenvolvendo uma tecnologia inovadora de energia renovável baseada em células solares biofotovoltaicas. O projeto utiliza pigmentos fotossintéticos extraídos da bactéria púrpura Rhodobacter sphaeroides para converter a luz solar em eletricidade.
Segundo a Antara News, o estudo concentra-se na utilização do complexo proteico fotossintético RC-LH1, responsável pela captação de luz nessas bactérias. Esse material biológico é combinado com camadas semicondutoras que promovem a separação de cargas elétricas quando expostas à radiação solar, possibilitando a geração de energia.
Para desenvolver o dispositivo, os pesquisadores empregaram uma estrutura formada por diferentes materiais condutores e semicondutores, projetada para captar elétrons e cargas positivas produzidos durante o processo. A iniciativa representa uma abordagem inovadora para a tecnologia fotovoltaica ao integrar mecanismos naturais da fotossíntese aos sistemas de geração de eletricidade.
"Em princípio, a fotossíntese e a tecnologia fotovoltaica compartilham características comuns, pois ambas utilizam a energia solar. A fotossíntese converte a energia luminosa em energia química, enquanto a tecnologia fotovoltaica a transforma em energia elétrica", afirmou Tulus, um dos membros da equipe.
Ele acrescentou que as bactérias púrpuras utilizadas na pesquisa não são patogênicas e se destacam pela alta eficiência fotossintética. Segundo o pesquisador, o sistema também apresenta grande capacidade de separação de cargas elétricas, uma característica essencial para aumentar o desempenho das células solares biológicas e ampliar seu potencial de aplicação.
A tecnologia integra a chamada terceira geração de células solares, um campo emergente voltado ao desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis para a produção de energia. Entre as vantagens apontadas estão o uso de materiais ambientalmente seguros, a fabricação em temperaturas relativamente baixas e o aproveitamento de recursos naturais abundantes.
Os resultados alcançados até o momento são considerados promissores. De acordo com os cientistas, o dispositivo registrou um dos melhores desempenhos já reportados para sistemas biofotovoltaicos de estado sólido em termos de tensão de circuito aberto, reforçando o potencial dessa tecnologia para futuras aplicações no setor de energia limpa.
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