Ministros das Finanças do BRICS aprovam medidas para impulsionar financiamento sustentável
Títulos verdes, empréstimos em moedas locais e mercados voluntários de carbono estão entre as prioridades anunciadas
Os ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do BRICS aprovaram três declarações conjuntas durante reunião realizada no Rio de Janeiro. As medidas visam aprofundar a cooperação econômica e promover reformas no sistema financeiro internacional, conforme divulgado pelo site da presidência brasileira do grupo.
"As economias do BRICS tornaram-se mais integradas à economia mundial e hoje representam cerca de um quarto do comércio e dos fluxos de investimento globais. Ao mesmo tempo, os países reconhecem que ainda é preciso avançar para garantir que os benefícios da globalização, do crescimento econômico e da produtividade sejam distribuídos de forma mais equitativa para todos", aponta o comunicado oficial.
Entre as prioridades, os representantes destacaram a promoção de ações para adaptação às mudanças climáticas, com foco no envolvimento do setor privado. Para isso, o grupo pretende estimular o uso de instrumentos de financiamento sustentável, como títulos verdes, empréstimos em moedas locais e mecanismos de financiamento híbrido. Também foi reafirmado o compromisso com o fortalecimento dos mercados voluntários de carbono.
O BRICS reiterou seu apoio à transparência fiscal e ao diálogo internacional em prol de uma tributação mais justa, como estratégia para reduzir desigualdades.
O documento também destaca o compromisso de fortalecer a participação social nas atividades do BRICS, promover a cooperação entre especialistas e a sociedade civil dos países-membros e ampliar o papel das interações humanas na agenda econômica e financeira.
Outro ponto relevante foi a preparação para a 30ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para novembro em Belém. Os ministros defenderam o engajamento ativo das instituições financeiras na elaboração de um plano que permita mobilizar US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 7 trilhões) por ano em investimentos voltados ao clima.
Fotografia: Rafa Neddermeyer / BRICS Brasil