Editora do The Herald, Victoria Ruzvidzo: "As cúpulas do BRICS ampliam o debate midiático global e fortalecem vozes alternativas"
Especialista comenta transformação digital, cooperação no BRICS e papel crescente do Sul Global na construção de um espaço informacional multipolar
A rede internacional de mídia TV BRICS apresenta a "Reunião da mídia global", um projeto especial em comemoração ao 20º aniversário do BRICS. A iniciativa conta com comentários de importantes especialistas dos principais meios de comunicação dos países do BRICS+ e parceiros da rede de mídia sobre questões relacionadas à formação de uma agenda mundial conjunta, à construção de um sistema multipolar de comunicações globais de mídia, às tendências atuais e aos principais acontecimentos dos últimos 20 anos para o avanço do discurso da mídia, bem como previsões sobre a evolução do espaço midiático.
Durante uma entrevista exclusiva à TV BRICS, Victoria Ruzvidzo compartilha sua visão sobre as principais mudanças que transformaram a mídia global nas últimas duas décadas, o papel do BRICS na promoção do diálogo e da cooperação e explica por que confiança, ética e inclusão serão fundamentais para o futuro do jornalismo internacional.
— Qual acontecimento dos últimos 20 anos foi o mais significativo para o desenvolvimento do discurso midiático e para a formação de um sistema global multipolar de mídia?
— Uma das transformações mais significativas foi a ascensão das plataformas digitais e das redes sociais. Isso representou um verdadeiro ponto de virada, abrindo espaço para novas vozes, especialmente aquelas do Sul Global. À medida que países como China, Rússia e outras economias emergentes cresceram, suas plataformas internacionais de mídia também se fortaleceram, contribuindo para conduzir o mundo em direção a um sistema informacional mais multipolar.
— Qual foi o acontecimento mais marcante e criativo que ajudou a aproximar os meios de comunicação e contribuiu para a construção de uma agenda global comum?
— As cúpulas do BRICS se destacam claramente nesse sentido. Elas têm sido muito bem organizadas e bastante inovadoras na maneira como reúnem os meios de comunicação em torno de questões comuns. Para além das reuniões oficiais, criam espaço para um diálogo significativo sobre desenvolvimento, governança global e cooperação Sul-Sul. Elas também incentivam organizações de mídia dos países do BRICS a colaborar por meio do compartilhamento de conteúdo, fóruns conjuntos e intercâmbios. Ao longo do tempo, isso tem ajudado a ampliar o debate midiático global e a fortalecer vozes alternativas.
— Qual é a sua previsão para as comunicações midiáticas nos próximos 20 anos?
— A mídia continuará avançando cada vez mais no ambiente digital, com tecnologias como inteligência artificial e jornalismo de dados desempenhando um papel cada vez maior. No entanto, à medida que tudo se torna mais rápido, a confiança será mais importante do que nunca. As pessoas buscarão meios de comunicação nos quais possam confiar, isto é, veículos que verifiquem as informações e ofereçam o contexto adequado. Aqueles que conseguirem combinar tecnologia com princípios éticos sólidos serão os que permanecerão relevantes.
— Quais elementos fundamentais uma agenda global comum deveria incluir sob a perspectiva da mídia?
— Do ponto de vista da mídia, qualquer agenda global comum deve ter as pessoas no centro. Ela deve se concentrar no desenvolvimento sustentável, nas mudanças climáticas, na saúde pública e na justiça econômica. Também precisa respeitar a diversidade cultural e garantir uma representação justa, especialmente para regiões como a África. A mídia deve ajudar a aproximar as pessoas e promover a compreensão, em vez de aprofundar divisões.
— Quais temas relacionados ao Zimbábue deveriam receber mais atenção da mídia internacional?
— Há muita coisa acontecendo no Zimbábue que merece uma cobertura mais equilibrada. As reformas econômicas, o desenvolvimento da infraestrutura, as transformações na agricultura e a interação com parceiros internacionais são temas importantes. Eventos como a Feira Internacional de Comércio do Zimbábue e fóruns de investimento dizem muito sobre os rumos que o país está tomando. O papel do Zimbábue na diplomacia regional, nas operações de manutenção da paz e na resiliência climática também merece destaque.
— Como você avalia a ideia de um espaço informacional unificado da Eurásia ou em escala global?
— Esse é um conceito muito positivo, desde que seja construído com base no respeito mútuo e na igualdade. A cooperação não precisa permanecer apenas no plano abstrato; ela pode assumir formas práticas, como compartilhamento de conteúdo, intercâmbio de jornalistas, programas conjuntos de capacitação e coproduções. No The Herald, vimos como a colaboração internacional pode aprimorar competências, ampliar perspectivas e fortalecer os padrões profissionais
— O que significa o jornalismo verdadeiro para você?
— Para mim, o verdadeiro jornalismo é uma questão de responsabilidade e de serviço à sociedade. Significa relatar a verdade com cuidado, colocar as pessoas em primeiro lugar e agir em defesa do interesse público. Precisão, equilíbrio e integridade são essenciais, independentemente da plataforma.