Argentina propõe uso de morcegos para proteger vinhedos contra pragas
Animais podem reduzir perdas agrícolas ao capturar insetos antes da postura de ovos
Cientistas argentinos descobriram que morcegos insetívoros podem ser utilizados no controle de pragas agrícolas, entre elas a traça-da-videira (Lobesia botrana), considerada uma das principais ameaças aos vinhedos do país. A pesquisa está sendo desenvolvida na província de San Juan, no oeste da Argentina, segundo informações divulgadas pelo Ahora San Juan, parceiro da TV BRICS.
De acordo com o pesquisador Emiliano Castro, os morcegos insetívoros atuam como reguladores naturais das populações de insetos em ecossistemas agrícolas. Graças à ecolocalização, capacidade de localizar objetos por meio da emissão e da recepção de sinais sonoros, esses mamíferos conseguem encontrar e capturar insetos durante a noite, inclusive em pleno voo.
Uma das principais vantagens dessa abordagem é que os morcegos predam mariposas e borboletas adultas antes que elas depositem ovos nas plantas. Com isso, é possível reduzir a quantidade de larvas e, consequentemente, minimizar as perdas na produção agrícola.
Na província de San Juan vivem oito espécies de morcegos. Entre elas, o morcego-de-cauda-livre-brasileiro (Tadarida brasiliensis) é apontado como uma das mais promissoras para o controle biológico de pragas. Os pesquisadores também destacam o potencial desses animais no combate a outras espécies prejudiciais à agricultura, como a traça-da-maçã (Cydia pomonella) e a traça-do-tomateiro (Tuta absoluta).
Para fortalecer as populações locais, os cientistas defendem a conservação das espécies já presentes na região, em vez da introdução de novos animais. Uma das alternativas é a instalação de abrigos artificiais que favoreçam a formação de colônias.
Antes da instalação dessas estruturas, os especialistas pretendem identificar as espécies presentes em cada área, analisar seus hábitos alimentares e compreender como utilizam o ambiente. O monitoramento será realizado com detectores de ultrassom, o que permitirá acompanhar a atividade dos morcegos sem capturá-los.
"Buscamos que os morcegos sejam reconhecidos não apenas por sua importância para a conservação da biodiversidade, mas também pelos benefícios concretos que proporcionam à sociedade. Em uma província com forte atividade agrícola, como San Juan, eles representam uma oportunidade para integrar conservação e produção, promovendo sistemas mais sustentáveis e saudáveis para as pessoas e o meio ambiente", explicou Emiliano Castro.
O projeto ainda está em fase inicial. Os pesquisadores atuam em parceria com órgãos públicos, instituições científicas e representantes do setor agropecuário para avaliar a viabilidade da aplicação prática dessa estratégia. A expectativa é que a conservação da biodiversidade se torne mais um instrumento para promover o desenvolvimento sustentável da agricultura.
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