Cientistas brasileiros identificam nova espécie mineral em diamante
Descoberta pode ampliar a compreensão sobre os processos que ocorrem nas regiões mais profundas da Terra
Pesquisadores brasileiros identificaram um novo mineral nunca antes encontrado na natureza, informou o Metrópoles, parceiro da TV BRICS. Batizado de grahampearsonita, o composto é um fosfato de cálcio, fósforo e oxigênio e foi reconhecido oficialmente como uma nova espécie mineral pela principal associação internacional do setor.
Segundo os pesquisadores, embora um composto de composição equivalente já tivesse sido sintetizado em laboratório, esta é a primeira vez que o mineral é identificado na natureza, tanto na Terra quanto em meteoritos.
A descoberta ocorreu no interior de um diamante superprofundo extraído na região de Juína, no noroeste de Mato Grosso. Esses diamantes se formam a profundidades que variam de aproximadamente 400 a 800 quilômetros abaixo da superfície terrestre e preservam minerais originados nas camadas mais profundas do planeta.
De acordo com o professor Tiago Jalowitzki, um dos responsáveis pelo estudo, a descoberta amplia o conhecimento sobre a composição e os processos que ocorrem no interior da Terra.
"Os diamantes superprofundos funcionam como verdadeiras cápsulas do tempo. Durante sua formação, eles aprisionam pequenos minerais e os transportam até a superfície, preservando informações sobre as condições existentes a centenas de quilômetros de profundidade. Além disso, sua associação com outros fosfatos pode contribuir para compreender como o fósforo é armazenado e reciclado entre a crosta e o manto terrestre", destacou.
As primeiras análises foram realizadas por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), com o uso de técnicas capazes de identificar os minerais presentes no diamante. Posteriormente, exames complementares confirmaram que a amostra apresentava uma composição inédita, sem correspondência com qualquer outro mineral conhecido, o que levou ao seu reconhecimento oficial.
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