Tecnologia permitirá ao país monitorar mudanças ambientais e responder a eventos extremos
O Brasil lançou um projeto para criar um gêmeo digital do oceano voltado ao monitoramento do Atlântico Sul. A ferramenta funcionará como uma representação virtual de alta precisão, reunindo dados de observação, modelagem numérica e simulações preditivas. A informação consta no site do governo brasileiro.
A implementação da tecnologia abrirá novas possibilidades para modelar diferentes cenários e avaliar com antecedência os impactos de fenômenos naturais.
Entre as principais áreas de aplicação estão a previsão de tempestades e ciclones, o monitoramento da migração de espécies marinhas, o acompanhamento e a contenção de derramamentos de petróleo, a otimização da navegação e da segurança marítima, a formulação e atualização da política climática nacional, além da análise de mudanças climáticas de longo prazo.
Para garantir o funcionamento eficiente do sistema, será essencial integrar dados oceanográficos de diferentes fontes, estruturar a troca de informações e coordenar a atuação de organizações científicas, órgãos públicos e parceiros internacionais. Por isso, uma etapa importante do projeto foi a realização do seminário internacional "Data to Decision: Towards a Digital Twin Ocean Platform for the South Atlantic".
O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, organizou o evento em parceria com uma organização internacional dedicada ao desenvolvimento de sistemas oceanográficos digitais capazes de monitorar parâmetros como temperatura, salinidade, correntes e concentração de oxigênio em escala global. O desafio atual não consiste apenas em produzir dados, mas em aplicá-los de forma prática.
O Brasil ocupa uma posição estratégica nessa iniciativa. Sua relevância está ligada a dois fatores principais: o papel do Atlântico Sul no sistema climático global e o alto nível de capacidade científica nacional na área de oceanografia.
Como resultado do seminário, os participantes elaboraram um plano de ação para criar e implementar o gêmeo digital, definir um roteiro do projeto com prazos e etapas claras e apresentar os primeiros resultados na Conferência da Década do Oceano, em 2027, no Rio de Janeiro.
A Assembleia Geral da ONU proclamou a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável para o período de 2021 a 2030. A iniciativa busca acelerar o avanço das ciências oceânicas e a produção de conhecimento, com o objetivo de criar novas oportunidades para o desenvolvimento sustentável desse amplo ecossistema marinho.