Brasil amplia uso de bioinsumos na agricultura
Preparações são utilizadas para proteger as plantas e aumentar a eficiência no aproveitamento de nutrientes
O mercado brasileiro de bioinsumos para a agricultura alcançou cerca de R$ 7 bilhões em 2025 e poderá crescer para quase R$ 10 bilhões até 2030. As informações foram divulgadas no site da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma instituição pública de pesquisa dedicada ao desenvolvimento de tecnologias para a agricultura vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Segundo dados de uma associação do setor, o mercado poderá crescer cerca de 46% nesse período.
Uma das principais áreas de aplicação das tecnologias biológicas na agricultura brasileira continua sendo o cultivo da soja com o uso de inoculantes. Microrganismos capazes de fixar o nitrogênio atmosférico são utilizados em aproximadamente 85% das áreas cultivadas com a oleaginosa, permitindo dispensar completamente o uso de fertilizantes nitrogenados químicos. Segundo pesquisadores, a aplicação anual de inoculantes pode proporcionar um aumento médio de 8% a 16% na produtividade da soja.
Gradualmente, as soluções biológicas também vêm sendo adotadas em outras culturas, como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e plantas forrageiras. No cultivo do milho, por exemplo, os inoculantes contribuem para um aproveitamento mais eficiente dos nutrientes e, em determinadas condições, permitem reduzir em até 25% a aplicação de fertilizantes nitrogenados. De acordo com o material, mais de 40 milhões de doses de inoculantes para cereais são comercializadas anualmente no Brasil.
O desenvolvimento das tecnologias biológicas gera benefícios não apenas econômicos, mas também ambientais. A redução do uso de fertilizantes nitrogenados químicos permite diminuir as emissões de gases de efeito estufa associadas à sua produção e aplicação.
"Essa substituição gerou uma economia aproximada de US$ 28 bilhões [R$ 144,7 bi] ao Brasil, na última safra. Em termos ambientais, foi evitada a emissão de cerca de 280 milhões de toneladas de CO₂ equivalente — o que equivale a retirar das ruas 60 milhões de carros de passeio de circulação por um ano", ressaltou a pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria.
O Brasil também continua desenvolvendo novos microrganismos e produtos biológicos, ampliando o uso de bioinoculantes, agentes de controle biológico e outras soluções na agricultura. Os pesquisadores destacam que o avanço desse setor exige o aperfeiçoamento dos métodos de avaliação da qualidade dos produtos, da regulamentação da atividade e da cooperação entre instituições científicas, fabricantes e órgãos públicos.