BRICS+ Fashion Summit reúne designers globais para debater moda sustentável
Inovações tecnológicas e tradição cultural marcam o evento na Semana de Moda de Moscou
A cidade de Moscou sediou o BRICS+ Fashion Summit, uma plataforma internacional dedicada a promover o diálogo e a troca de experiências entre grandes nomes da indústria da moda de países do BRICS e BRICS+.
O evento, que faz parte da Semana de Moda de Moscou, apresentou uma variedade de atividades, incluindo discussões plenárias, mesas-redondas, palestras e cursos intensivos de moda. O organizador da cúpula é o Fundo Cultural para o Desenvolvimento da Moda e do Design, o "Fundo de Moda", com apoio do Governo de Moscou.
Durante os três dias de evento, foram discutidos temas como o uso de tecnologias limpas para práticas sustentáveis, caminhos de cooperação entre designers do BRICS e a influência das tendências de moda na agenda internacional. Uma parte significativa das conversas abordou a moda sustentável e os projetos que vêm sendo desenvolvidos para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Em um comentário exclusivo à TV BRICS, a pesquisadora e designer brasileira Luciana Duarte explicou como novas tecnologias podem ser incorporadas à moda para reduzir o impacto ambiental e aumentar a sustentabilidade das peças.
"A gente tem desenvolvido materiais que absorvem o gás carbônico e fazem um tipo de fotossíntese, liberando oxigênio para o mundo. [...] Hoje, é obrigatório que alguns tecidos, boa parte dos tecidos, sejam relacionados à economia circular, ou seja, eles [os tecidos] têm de ser de materiais reciclados", afirmou.

Luciana também incentivou os designers do BRICS e BRICS+ a assumirem um papel mais ativo na cooperação, aproveitando oportunidades como bolsas de estudo, bienais de moda, feiras de fornecedores e estágios em grandes empresas.
A moda africana também teve destaque na cúpula, com atenção especial às técnicas artesanais, tecidos locais e métodos tradicionais que inspiram novas coleções e vêm conquistando reconhecimento nas tendências globais. O designer da Costa do Marfim, Aristide Loua, utiliza métodos tradicionais em suas criações e comentou à TV BRICS:
"Essencialmente, países como Índia, Brasil, China, África do Sul e, de modo geral, o Sul Global […] temos o que eu chamo de ativos culturais. Isso significa que nós temos diferentes técnicas de produção de tecidos. Temos culturas que são muito fascinantes na criação de moda e na confecção de joias", disse.

Segundo ele, o evento atua como um espaço estratégico para estabelecer parcerias internacionais e aprender com as inovações de outros países.
"O BRICS+ Fashion Summit é uma plataforma onde designers de todo o mundo podem se reunir, colaborar, criar uma rede de contatos e encontrar soluções para conseguir reduzir a lacuna em termos de produção e competir com as grandes marcas mundiais", acrescentou.
Paulo Borges, criador e fundador da São Paulo Fashion Week, ressaltou o papel da diversidade da moda brasileira como um instrumento de aproximação cultural e de inovação dentro do BRICS.
"Eu espero que este encontro do BRICS+ Fashion Summit, aqui na Semana de Moda de Moscou, possa ser o início de uma mudança de criação, de pensamento e de aproximação entre os países. [...] A moda brasileira, além de ser muito diversa por sua riqueza imaterial, traz um componente do brasileiro, a felicidade. [...] E acho que essa troca com a Rússia e com os países do BRICS é muito importante para reinventar a nova geopolítica criativa", compartilhou ele.
Fotografias: TV BRICS
DIGITAL WORLD
Centro de Mídia do BRICS+
RUSSO CONTEMPORÂNEO