BRICS fortalece laços no setor de saúde visando aumentar acesso à medicina de qualidade até 2030
Os países-membros estão se esforçando para melhorar a infraestrutura de saúde e facilitar o acesso a medicamentos essenciais
Desde a pandemia da covid-19, o grupo BRICS empreendeu uma série de iniciativas de colaboração no setor de saúde, especialmente nas áreas de inovação, preparação para pandemias, desenvolvimento de vacinas e pesquisa médica. Nesse sentido, o grupo tomou medidas formais e definiu o papel dos Estados-membros individuais na formação de políticas globais de saúde.
O que é o BRICS?
O BRICS é um grupo internacional das principais economias em desenvolvimento, inicialmente formado por cinco países membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e Rússia.
Em 2024, o grupo foi ampliado para incluir cinco novos países: Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU). Isso marcou uma mudança significativa no cenário geopolítico, pois o BRICS agora inclui uma gama maior de economias emergentes de diferentes regiões do mundo.
À medida que a influência do grupo cresce, também aumenta seu papel no enfrentamento dos desafios globais, com a saúde e a medicina se tornando uma área de foco principal.
Cooperação do BRICS durante a pandemia da covid-19
Os ministros da Saúde do Brasil, Rússia, China e África do Sul realizaram uma sessão virtual em 28 de julho de 2021 na 11ª Reunião de Ministros da Saúde do BRICS, presidida pela Índia, com o tema "Resposta do BRICS à pandemia da COVID-19: rumo a uma estrutura digital abrangente para a preparação para pandemias".
Nessa reunião, os altos funcionários reconheceram a importância de acelerar o acesso às ferramentas de controle da covid-19 (vacinas, medicamentos e ferramentas de diagnóstico) em uma pandemia.
Os países decidiram estabelecer uma cooperação técnica dentro do grupo BRICS para elaborar e implementar protocolos, projetos e plataformas para facilitar a análise de dados, conforme a declaração da 11ª Reunião de Ministros da Saúde do BRICS.
Desde esse encontro, o instituto sediado na Índia tem desempenhado um papel fundamental na distribuição global das vacinas contra a covid-19. A China também investiu pesadamente em pesquisa e desenvolvimento de vacinas contra a covid-19 e outras doenças infecciosas, ressaltando o compromisso do BRICS com a inovação no setor de saúde.
Posteriormente, na 13ª Cúpula do BRICS, presidida pela Índia em 2021, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa enfatizou a importância de fortalecer a cooperação em saúde entre os países do BRICS, observando que os esforços conjuntos podem garantir o acesso equitativo a vacinas e medicamentos e promover sistemas de saúde sustentáveis.
Ele foi apoiado pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que enfatizou que a saúde é uma prioridade compartilhada e pediu inovação coletiva e compartilhamento de tecnologia e conhecimento especializado para enfrentar os desafios globais de saúde.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva também enfatizou a necessidade de cooperação científica contínua no campo do desenvolvimento de vacinas, destacando a importância de fortalecer a autossuficiência no setor de saúde nos países do BRICS.
De acordo com uma declaração conjunta dos ministros das Relações Exteriores do BRICS, o grupo tem como objetivo produzir vacinas localmente para reduzir a dependência de fornecedores externos e permitir que os Estados-membros respondam rapidamente a crises de saúde.
Em março de 2022, o BRICS lançou um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Vacinas, presidido pela China. O projeto visa fortalecer a capacidade de produção de vacinas e promover a cooperação entre os países do BRICS para enfrentar os desafios da saúde. O objetivo é promover práticas colaborativas, aumentar a disponibilidade de vacinas e coordenar esforços para combater doenças infecciosas.
Telemedicina nos países do BRICS
Os países do BRICS estão desenvolvendo ativamente a telemedicina, e cada um deles adotou seu próprio programa nacional.
Por exemplo, a Índia tem um programa abrangente que inclui a criação de uma associação nacional de telemedicina, congressos regulares e um centro nacional dedicado à telemedicina em Lucknow. Eles planejam criar uma rede de 1.500 clínicas em áreas rurais conectadas por um satélite especial.
O Brasil, por sua vez, estabeleceu uma rede de telemedicina universitária que abrange centenas de hospitais e agora atende os países da América Latina e do Caribe.
Mikhail Natenzon, presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Telemedicina, em uma entrevista exclusiva à TV BRICS, comentou o desenvolvimento da telemedicina na Rússia.
O alto funcionário observou que a pandemia do coronavírus acelerou a introdução de tecnologias de telemedicina. Em Moscou, por exemplo, todas as policlínicas e a maioria dos hospitais estão equipados com aparelhos de diagnóstico conectados a um único centro. Além disso, já foi lançado um sistema de suporte a decisões médicas que usa Inteligência Artificial (IA) para analisar imagens médicas e ajudar os médicos a fazer um diagnóstico.
Em um comentário exclusivo para a TV BRICS, Valeri Stoliar, chefe do Departamento de Informática Médica e Telemedicina da Universidade da Amizade dos Povos da Rússia em homenagem a Patrice Lumumba, observou que a Rússia está ativamente envolvida em projetos de telemedicina, monitorando remotamente pacientes antes e depois de cirurgias, conduzindo aulas magistrais interativas remotas e transmitindo operações e procedimentos de diagnóstico no processo de treinamento de médicos. Além disso, disse ele, palestras sobre novas tecnologias médicas estão sendo trocadas entre os países do BRICS.
"Atualmente, a medicina nuclear é uma das prioridades mais importantes no desenvolvimento de uma abordagem personalizada de alta tecnologia para o diagnóstico e o tratamento de várias doenças oncológicas e não oncológicas. Os países do BRICS têm um potencial significativo no desenvolvimento e na aplicação de métodos de medicina nuclear e estão interessados em cooperar na solução de uma tarefa socialmente importante para todos os países: melhorar a qualidade de vida das pessoas e reduzir a mortalidade dos pacientes", disse ele.
A presidência do BRICS em 2024 priorizou o papel da saúde digital na facilitação do acesso à assistência médica, especialmente em áreas rurais e de baixa renda. De acordo com o site oficial da presidência do BRICS 2024, países como a Índia e a China estão liderando o caminho no uso de telemedicina, IA e apps médicos móveis para reduzir as lacunas na área da saúde.
A saúde digital também promove a educação médica e a colaboração em pesquisa no BRICS. Usando abordagens orientadas por dados, os países-membros estão se esforçando para lidar melhor com doenças transmissíveis e não transmissíveis.
Iniciativas mútuas no campo da medicina após a ampliação do BRICS
Em junho de 2024, os ministros das Relações Exteriores do BRICS se reuniram em Nigni Novgorod e reafirmaram seu compromisso com a cooperação global no campo da saúde. De acordo com o site oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, os altos funcionários do BRICS confirmaram a importância da cooperação no campo da saúde como um pilar central do desenvolvimento sustentável e enfatizaram a necessidade de uma abordagem inclusiva para enfrentar os desafios globais da saúde.
Na reunião, as autoridades de saúde discutiram os principais desafios do setor, incluindo a escassez de vacinas, a resistência antimicrobiana e o aumento das doenças não transmissíveis. Um dos resultados importantes da reunião foi uma proposta para criar uma Revista Médica do BRICS e estabelecer uma Associação Médica do BRICS.
Entre as principais iniciativas para 2024 também está o Sistema Integrado de Alerta Precoce para Doenças Infecciosas em Massa, que tem como objetivo evitar epidemias de doenças transmissíveis e utilizar dados e recursos compartilhados. Esse sistema visa a fornecer um alerta antecipado de possíveis crises de saúde, garantindo uma resposta oportuna e uma ação coordenada pelos Estados-membros.
Além disso, na 154ª sessão do Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, a Rússia apresentou o Plano de Ação de Saúde do BRICS, que prevê a cooperação futura em áreas como medicina nuclear, resistência antimicrobiana e o desenvolvimento de centros de pesquisa e desenvolvimento relacionados à saúde.
O presidente russo Vladimir Putin prometeu tornar a assistência médica uma área prioritária de cooperação como parte da presidência russa do BRICS em 2024. Ele declarou que a Rússia trabalhará para aprimorar a colaboração na área da saúde como parte da agenda humanitária mais ampla do BRICS, de acordo com o site oficial da presidência russa do BRICS 2024.
Metas da cooperação do BRICS no campo da saúde
Os países do BRICS estão unidos em sua ambição de alcançar a cobertura universal de saúde até 2030, conforme estabelecido nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Essa meta é consistente com a melhoria do acesso a serviços essenciais de saúde, medicamentos e vacinas a preços acessíveis em todos os países do BRICS.
Além disso, o grupo BRICS está promovendo a medicina tradicional. Países como a China e a Índia têm sistemas médicos antigos, como a Medicina Tradicional Chinesa e a Ayurveda, um sistema de medicina alternativa desenvolvido na Índia. Projetos colaborativos estão em andamento para pesquisar, regulamentar e padronizar os medicamentos tradicionais para integrá-los à prática médica moderna.
Em 2024, os países do BRICS continuarão a aprofundar a cooperação em saúde e medicina, com foco na igualdade de acesso a vacinas e inovação em saúde digital. O futuro estabelecimento da Revista Médica do BRICS, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Vacinas e de um sistema conjunto de alerta precoce para doenças infecciosas ressalta o compromisso do grupo com a segurança da saúde global.
Fotografia: Imagem gerada por Inteligência Artificial
DIGITAL WORLD
Centro de Mídia do BRICS+
RUSSO CONTEMPORÂNEO