Documento de 12 páginas contém 62 pontos
A reunião de dois dias dos ministros das Relações Exteriores do BRICS chegou ao fim no Rio de Janeiro. Realizado nos formatos tradicional e ampliado — com a presença de países parceiros — o encontro resultou na emissão de uma declaração pela chancelaria brasileira, já disponível no site oficial da presidência brasileira do grupo.
O documento, com 12 páginas e 62 itens, estabelece as prioridades que vão nortear a declaração final da próxima Сúpula do BRICS, agendada para os dias 6 e 7 de julho deste ano, também no Rio.
Principais eixos da declaração emitida pelo Itamaraty
BRICS como voz do Sul Global
Os chanceleres reafirmaram o compromisso de aprofundar a cooperação em três frentes: política e segurança, economia e finanças, e intercâmbios culturais e humanitários. Reforçaram o papel do BRICS como voz central do Sul Global e manifestaram apoio à reforma da Organização das Nações Unidas, com destaque para a ampliação da representação dos países em desenvolvimento no Conselho de Segurança.
Economia e finanças
Os ministros defenderam o uso ampliado de moedas nacionais nas transações entre os países-membros e o desenvolvimento de plataformas de pagamento próprias. Reconheceram a importância do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que deve se tornar um instrumento essencial de financiamento para países com economias em desenvolvimento. Foi apoiada a sua expansão e a reeleição de Dilma Rousseff como presidente da instituição.
Combate ao terrorismo
Os ministros condenaram veementemente todas as formas de terrorismo e, em particular, o ataque ocorrido na Índia em 22 de abril de 2025, que deixou ao menos 26 mortos. Destacaram a intenção do grupo de aprofundar a cooperação na luta antiterrorista. Os chanceleres elogiaram o trabalho do grupo de trabalho temático do BRICS e defenderam a finalização e adoção da Convenção Global da ONU sobre Terrorismo Internacional.
Tecnologia e segurança digital
Os ministros defenderam o uso pacífico do espaço, um ambiente digital seguro e confiável, e o acesso livre a informações verificadas. Também destacaram a importância da alfabetização digital e da definição de regras comuns para o ciberespaço.
Desenvolvimento sustentável e clima
Foram apoiadas iniciativas como a Parceria do BRICS para a Restauração de Terras Degradadas e da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Os ministros pediram o fortalecimento da cooperação agrícola para garantir a segurança alimentar global e tomaram nota da proposta de criação de um Laboratório do BRICS dedicado ao comércio, ao clima e ao desenvolvimento sustentável.
Inteligência artificial e economia de dados
Os chanceleres reconheceram o papel da inteligência artificial no desenvolvimento inclusivo e manifestaram a intenção de apoiar os países em desenvolvimento nessa área. Também saudaram o avanço de um acordo sobre Governança da Economia de Dados do BRICS, que visa instaurar um mapa do caminho sobre futuras áreas de trabalho.
Além disso, os ministros se posicionaram contra o crime cibernético, reiteraram a necessidade de reformar a arquitetura financeira global e destacaram a importância do G20. Diante da recente ampliação do grupo, ressaltaram a necessidade de fortalecer institucionalmente o BRICS, inclusive por meio da criação de uma base de dados comum que facilite o acesso a documentos e informações de referência.
Ao final, os chefes das órgãos diplomáticos expressaram apoio à presidência brasileira do BRICS, que ocorre este ano.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, concedeu uma entrevista coletiva após a reunião do BRICS. Segundo ele, os participantes concordaram em continuar colaborando com os países parceiros em diferentes formatos. Os ministros também sublinharam a importância de fortalecer o papel da maioria global na resolução dos principais desafios contemporâneos.
"Destacamos a necessidade das ações coletivas do nosso grupo para alcançar os ODS, garantir a segurança e promover o crescimento econômico. Enfatizamos especialmente a importância de continuar trabalhando pela reforma das instituições monetárias e financeiras internacionais"![]()
Serguei Lavrov Ministro das Relações Exteriores da Rússia
O chefe da diplomacia russa também afirmou estar confiante de que o processo de expansão do BRICS será retomado em breve. Segundo ele, os países parceiros terão prioridade como candidatos à plena adesão ao grupo.
Fotografia: Flickr / Izabela Castillo / BRICS Brasil