Iniciativa apresenta forte compatibilidade com observações feitas por telescópios
Cientistas da China e pesquisadores internacionais desenvolveram uma das maiores simulações já realizadas sobre a evolução do universo. Utilizando um supercomputador, o projeto recriou digitalmente a história do cosmos desde o Big Bang até os dias atuais.
O China Daily, parceiro da rede TV BRICS, informou que o estudo permite observar como galáxias e grandes estruturas cósmicas se formaram ao longo de bilhões de anos.
A iniciativa simula um volume cúbico do espaço com 12 bilhões de anos-luz de lado, o equivalente aproximado a alinhar 120 mil galáxias como a Via Láctea de ponta a ponta. Nesse universo digital, 4,2 trilhões de partículas virtuais de matéria escura evoluem sob a ação da gravidade, reproduzindo 13,8 bilhões de anos de história cósmica. A matéria escura é uma forma invisível de matéria que não emite nem absorve luz, mas acredita-se que constitua cerca de 85% de toda a matéria do universo.
Esse tipo de simulação é essencial para superar uma das maiores limitações em observações astronômicas. Devido à imensurável escala do universo e ao tempo que a luz das galáxias leva para chegar à Terra, as galáxias distantes captadas por telescópios representam, de fato, registros estáticos de épocas que remontam a bilhões ou dezenas de bilhões de anos, o que impossibilita o monitoramento de sua evolução em tempo real. As reconstruções digitais, porém, permitem visualizar essas transformações de forma mais dinâmica.
A reconstrução virtual das partículas de matéria escura gerou cerca de 13 petabytes de dados, volume equivalente a aproximadamente 13 milhões de filmes em alta definição. Para isso, foram utilizadas cerca de 16 mil unidades de processamento de alto desempenho, que operaram continuamente durante 18 dias.
Uma primeira análise da simulação foi publicada em uma revista científica internacional e apontou forte compatibilidade entre o modelo e as observações reais. Especialistas destacam que a pesquisa apresenta extensão e precisão sem precedentes e permite previsões detalhadas sobre a distribuição de galáxias no cosmos. A primeira parte dos dados será disponibilizada globalmente em uma etapa posterior.