Tecnologia inovadora reduz custos e emissões poluentes
A China iniciou oficialmente as operações da primeira usina industrial do mundo capaz de gerar eletricidade utilizando dióxido de carbono (CO₂). O bloco de energia Chaotan-1 foi ativado em uma planta metalúrgica localizada no sudoeste da China, na cidade de Liupanshui, na província de Guizhou, informou o Global Times, parceiro da TV BRICS.
Desenvolvida pelo Instituto de Energia Nuclear da China, que faz parte da Corporação Nuclear Nacional da China, essa tecnologia submete o CO₂ a altas pressão e temperatura, transformando-o em uma fonte eficiente para mover a turbina do gerador. Além disso, o processo utiliza o calor dos fornos da metalurgia, antes desperdiçado, contribuindo para a geração de energia.
"As operações comerciais deste projeto representam um marco, sendo a primeira passagem dessa tecnologia inovadora do laboratório para a implementação comercial no mundo", afirmou Huang Yanping, principal engenheiro do projeto.
Em comparação com as usinas a vapor tradicionais, o novo sistema apresenta uma eficiência recorde. O Chaotan-1 aumentou a eficiência na geração de energia em mais de 85%, além de elevar a geração líquida de energia em mais de 50%.
A potência de cada bloco de energia é de 15 MW. Espera-se que a usina produza anualmente mais de 70 milhões de kW/h de eletricidade, gerando uma receita adicional de aproximadamente 30 milhões de yuans (cerca de R$ 24 milhões) para a fábrica.
A fonte esclarece que as usinas tradicionais operam com vapor d'água, utilizando turbinas que giram em um ambiente denso e úmido, o que demanda uma grande quantidade de energia e resulta em perdas consideráveis. Já a nova tecnologia transforma o CO₂, fazendo com que ele adquira duas propriedades exclusivas: densidade, que permite armazenar e transferir uma grande quantidade de energia; e baixa viscosidade, que permite a passagem pelo sistema com quase nenhuma perda.
"É como um homem forte pedalando em uma bicicleta bem lubrificada, o que permite que ele pedale com facilidade e percorra grandes distâncias", acrescentou Yanping.
A Corporação Nuclear Nacional da China tem se dedicado ao estudo dessa tecnologia desde 2009. A previsão é que, no futuro, essa inovação seja aplicada também em outros setores, como usinas solares e sistemas de armazenamento de energia. O principal objetivo do desenvolvimento é reduzir as emissões de CO₂.
Fotografia: Xinhua / Xiao Yan