Cientistas chineses desenvolvem sistema de IA capaz de detectar automaticamente "furacões espaciais"
Pesquisadores esperam que a tecnologia ajude a compreender melhor os mecanismos de formação desses fenômenos raros e poderosos
Uma equipe de pesquisadores chineses desenvolveu um sistema de inteligência artificial capaz de detectar automaticamente os chamados furacões espaciais nas camadas superiores da atmosfera. A informação foi divulgada pelo Global Times, parceiro da TV BRICS, com base em dados dos desenvolvedores do Centro Nacional de Ciências Espaciais da Academia de Ciências da China.
Os furacões espaciais são tempestades geomagnéticas gigantescas em forma de espiral, semelhantes a ciclones tropicais ou tufões. Essas estruturas se formam na ionosfera e na magnetosfera da Terra, na região dos polos magnéticos, e se assemelham a formações aurorais em rotação, que surgem nas latitudes polares devido à interação do vento solar com o campo magnético do planeta.
Segundo os cientistas, esses fenômenos podem provocar erros em sistemas de navegação e posicionamento, além de prejudicar o funcionamento de estações de radar além do horizonte.
Anteriormente, a detecção de furacões espaciais era feita manualmente: especialistas analisavam imagens de satélite, o que tornava o processo lento e subjetivo.
Agora, os pesquisadores criaram um sistema treinado com 300 mil imagens de fenômenos aurorais, coletadas nos dois hemisférios entre 2005 e 2021. A amostra incluiu mais de 500 casos confirmados de furacões espaciais, além de diversas auroras que poderiam ser confundidas com eles.
O novo sistema é capaz não apenas de detectar esses fenômenos, mas também de determinar com precisão sua localização em imagens ultravioleta obtidas por satélites. A precisão da detecção chega a 97,9%. A equipe também criou uma plataforma de software completa, com interface visual, para otimizar os fluxos de trabalho.
Segundo os pesquisadores, o sistema pode ser aplicado diretamente à análise de imagens ultravioleta captadas pelo satélite SMILE, recém-lançado. A sigla corresponde a Solar wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer, missão dedicada ao estudo da interação entre o vento solar, a magnetosfera e a ionosfera. O satélite realizará observações prolongadas da magnetosfera terrestre, incluindo o registro de auroras no espectro ultravioleta e o mapeamento em raios X de determinadas regiões do espaço próximo à Terra.
O próximo passo será desenvolver um sistema de previsão de furacões espaciais e criar uma rede integrada de monitoramento da meteorologia espacial em tempo real.
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