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Economia verde do BRICS em ação: experiência da China, Rússia e Índia

O material aborda iniciativas climáticas e a cooperação ambiental de alguns países do BRICS

A proteção ambiental e o uso racional dos recursos naturais estão entre os principais desafios da humanidade no mundo contemporâneo. Essas metas estão previstas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS da ONU) até 2030. O documento estabelece, em especial, o compromisso de limitar o aquecimento global a menos de 2˚C, preferencialmente até 1,5˚C.

Desde a assinatura dos ODS, muitos países destinaram recursos significativos para combater as consequências das mudanças climáticas. Os Estados do BRICS não ficam de fora: eles financiam programas de grande escala para a proteção do meio ambiente.

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De acordo com dados apresentados por um dos centros analíticos independentes do Brasil, desde 2015 o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) alocou US$ 2,4 milhões (mais de R$ 13 milhões) para diversas iniciativas climáticas.

Cabe destacar ainda o Acordo de Paris de 2015, apoiado integralmente pelos países do grupo, que reafirmam seu compromisso em cumprir as principais metas do tratado.

Desenvolvimento verde da China

Nos últimos anos, o ritmo de crescimento econômico da China superou em grande medida o de muitos países desenvolvidos, onde se observa desaceleração. De acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas, em 2024 a economia chinesa cresceu 5%.

Com o aumento do PIB e da produção industrial, também crescem as emissões de dióxido de carbono. Paralelamente, Pequim aplica uma estratégia ambiental ambiciosa para reduzir os impactos da indústria e da atividade humana sobre o meio ambiente.

No relatório de uma das organizações de pesquisa mundiais afirma-se que em 2024 o governo chinês destinou 6,8 trilhões de yuans (cerca de R$ 5 trilhões) ao desenvolvimento da energia verde, incluindo investimentos em veículos elétricos, produção de energia limpa e eficiência energética.

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Anastasia Simonova, integrante do Conselho de Especialistas para Cultura do Parlamento Juvenil junto à Duma Estatal da Rússia, em comentário à TV BRICS destacou que a liderança chinesa dá grande atenção à agenda ambiental. Segundo ela, no país se realiza um projeto ecológico de reflorestamento "Três Nortes", que, nos últimos dez anos, aumentou a área florestal do país em mais de 30 milhões de hectares.

"São tomadas medidas regulares para reduzir as emissões industriais, inclusive as de carvão, principal motor da indústria chinesa. O país também estabeleceu a meta de alcançar a neutralidade de carbono até 2060", afirmou.

Ela acrescentou que a China investe na preservação de parques nacionais e da biodiversidade. O trabalho é conduzido em duas frentes: criação de novos parques com ambiente confortável para os animais locais e proteção abrangente dos parques já existentes, com atenção especial à flora e fauna.

Ainda assim, a maior parte dos recursos destinados à ecologia e ao desenvolvimento sustentável é direcionada para as fontes renováveis de energia, como solar, hídrica e eólica.

"É oportuno lembrar outra área de investimentos em ecologia: a construção verde. Ela está diretamente ligada às tecnologias de eficiência energética, mas com foco no desenvolvimento de soluções de engenharia e arquitetura e na posterior implementação de edifícios mais eficientes", acrescentou.

Um exemplo recente é o primeiro complexo de escritórios do mundo com emissões zero de carbono, inaugurado na China. O edifício de 117 metros consome cerca de 6 mil quilowatts-hora de eletricidade, toda gerada por sistemas verdes integrados à sua estrutura.

Experiência da Rússia. Proteção dos recursos hídricos

A Rússia também investe fortemente em meio ambiente. Segundo dados de uma rede internacional de auditoria e consultoria, em 2023 empresas do país destinaram um recorde de 1,3 trilhão de rublos (cerca de R$ 74 bilhões) à proteção ambiental.

De acordo com a lei orçamentária federal para 2024 e o período de 2025–2026, os gastos públicos nessa área somaram 477,5 bilhões de rublos (aproximadamente R$ 27 bilhões) em 2024. Para 2025 estão previstos 473 bilhões de rublos (cerca de R$ 27 bilhões), e para 2026, 522,7 bilhões de rublos (mais de R$ 30 bilhões).

Além disso, a Rússia é detentora de uma riqueza natural singular, marcada por vastas florestas, rios e lagos. O país abriga cerca de 2,8 milhões de rios e mais de 2 milhões de lagos.

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A vice-presidente do Conselho Público do Serviço Federal de Hidrometeorologia e Monitoramento Ambiental (Roshidromet), Aleksandra Kudzagova, em entrevista à rede de mídia, destacou que as principais iniciativas russas estão concentradas no projeto nacional "Bem-estar Ecológico".

"O programa prevê a construção de uma economia de ciclo fechado, a redução em duas vezes das emissões de substâncias poluentes perigosas no ar e dos despejos de águas residuais poluídas em corpos d’água. Para 6 anos de implementação do projeto foi anunciado um volume de financiamento de mais de 1,2 trilhão de rublos [mais de R$ 68 bilhões], dos quais mais de 800 bilhões de rublos [cerca de R$ 46 bilhões] provêm do orçamento federal", disse.

Ela destacou que a cooperação da Rússia com os países do BRICS no campo ambiental avança para resultados práticos. Em particular, na cúpula da associação em 2025 no Brasil, o grupo de contato sobre clima, criado na reunião dos ministros de ecologia, apresentou a Agenda de Liderança Climática do BRICS – um programa de ações para os próximos anos. Além disso, antes da cúpula no Rio de Janeiro, os Estados do BRICS apoiaram a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, cujo lançamento ocorrerá durante a COP30 em Belém, em novembro de 2025.

"A ideia é criar uma plataforma conjunta para troca de conhecimento, experiências e inovações, além de um fundo de investimentos verdes", concluiu.

Índia. Programas de grande escala para proteção ambiental

Em fevereiro de 2025, o governo da Índia informou ao parlamento que o país recebeu US$ 1,16 bilhão (R$ 93,4 bilhões) para projetos climáticos, via mecanismo financeiro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Como observa Kudzagova, para a Índia, país mais populoso do mundo, o desenvolvimento sustentável é uma prioridade estratégica.

"A liderança indiana reforça o direito de cada Estado de definir suas prioridades energéticas. Os indianos entendem perfeitamente que, apesar de conquistas significativas no campo da energia nuclear e renovável, ainda por muito tempo o país usará carvão", observou Kudzagova.

Ela lembrou que desde 1º de julho de 2022 está em vigor no país a proibição de fabricar, vender ou importar 19 tipos de plásticos descartáveis. Além disso, o governo anunciou que até 2030 pretende eliminar carros a gasolina e a diesel, substituindo-os por veículos elétricos.

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Outro programa de grande impacto é a iniciativa "Índia Limpa", voltada para a melhoria das condições sanitárias nas residências.

De modo geral, segundo Kudzagova, a participação da Índia no diálogo ambiental do BRICS demonstra o foco do país em avançar para uma economia verde, promover financiamento responsável, desenvolver a agricultura sustentável, gerir de forma racional os recursos hídricos e fortalecer a economia digital.

Fotografia:  phakphum patjangkata, Weedezign, Ralf Hahn, zhaubasar, photka / iStock