Redes neurais gráficas ajudam a identificar transferências suspeitas com base nas conexões entre clientes
O professor e chefe do laboratório de pesquisas aplicadas Skoltech-Sberbank, Aleksei Zaitsev, comentou com a TV BRICS sobre a implementação da inteligência artificial no setor financeiro da África do Sul. Foi reportado anteriormente que mais da metade dos grandes bancos do país investiram em sistemas de IA para combater fraudes, com um investimento superior a 20 milhões de rands sul-africanos (cerca de R$ 104,4 milhões), em 2024.
De acordo com o especialista, esses investimentos não devem ser considerados um avanço único, mas sim um processo natural que ocorre em todos os mercados saudáveis. A área mais promissora no combate à fraude, segundo o especialista, são as redes neurais gráficas. Elas analisam não apenas as ações de um cliente específico, mas também suas conexões com outras pessoas.
"É importante entender a interação do cliente com outras pessoas: para quem ele está transferindo dinheiro, em quais valores e quão típicos são esses padrões de comportamento. [...] O conjunto de conexões entre clientes forma um gráfico de conexões dentro do cliente. [...] A análise dessas conexões ajuda a identificar fraudes mesmo em casos nos quais o sistema ainda não lidou com esse tipo de engano", explicou Zaitsev.
Como exemplo de país onde essas tecnologias estão se desenvolvendo mais rapidamente, o especialista citou a China. Lá, um grande número de bancos e pesquisadores na área de inteligência artificial impulsionam o rápido desenvolvimento das tecnologias. Na Rússia, segundo ele, as tendências são semelhantes. O setor bancário russo possui uma forte comunidade de especialistas em aprendizado de máquina, que já desenvolvem modelos semelhantes há algum tempo.
Respondendo à pergunta sobre o intercâmbio de tecnologias e boas práticas entre os países do BRICS, Zaitsev destacou que a comunicação profissional ocorre principalmente em nível local, durante conferências do setor dentro de cada país. Discussões mais globais sobre métodos ocorrem em fóruns acadêmicos.
"Se falarmos sobre algo mais global, atualmente existem muitas conferências globais sobre aprendizado de máquina. Entre as mais destacadas, uma delas é a Conferência Asiática de Aprendizado de Máquina. Lá, há um conjunto muito forte de participantes, professores [...] Nas conferências científicas, discutem-se os métodos mais recentes e a compreensão de para onde tudo está indo, e quais métodos funcionam e quais não funcionam", afirmou Zaitsev.
O especialista também comentou sobre a aplicação da inteligência artificial para personalização de serviços financeiros. Segundo ele, as tecnologias permitem não só identificar fraudadores, mas também entender melhor as necessidades dos clientes. No entanto, Zaitsev reconheceu que as tecnologias ainda não são perfeitas.
Ele destacou que os bancos em diferentes países abordam o problema da fraude de maneira bastante semelhante. Enquanto para avaliar a capacidade de crédito de um tomador de empréstimo frequentemente se utilizam ferramentas externas, para proteger contra fraudes, os bancos confiam em soluções internas.
De acordo com o relatório da Autoridade de Supervisão do Setor Financeiro (FSCA, na sigla em inglês), a IA no setor financeiro da África do Sul é utilizada não só para segurança, mas também para personalização de serviços. Algoritmos ajudam a oferecer créditos e apólices de seguro personalizadas aos clientes, e no mercado de seguros está sendo implementada a precificação dinâmica: as contribuições podem mudar em tempo real com base em dados de telemetria de carros ou rastreadores de fitness. No entanto, os reguladores destacam os riscos, como ameaças à privacidade dos dados, possível viés dos algoritmos e vulnerabilidades sistêmicas. Por isso, a FSCA planeja desenvolver abordagens para regular as tecnologias de IA no setor financeiro.