Moscou discute infraestrutura de transporte e soberania tecnológica do BRICS
Especialistas de nove países elaboraram recomendações para a próxima cúpula do grupo, prevista para setembro
A conferência internacional "Fortalecimento dos laços entre os países do BRICS: promoção da cooperação" foi realizada em Moscou. O encontro ocorreu no ano da presidência indiana do BRICS e reuniu especialistas da Rússia, Índia, Egito, Emirados Árabes Unidos, África do Sul, China, Irã, Brasil e Etiópia.
Os participantes discutiram a resiliência dos corredores de transporte e comércio, a confiabilidade das cadeias de suprimento de recursos críticos e o desenvolvimento da cooperação tecnológica, incluindo a área de inteligência artificial (IA). As recomendações elaboradas durante a conferência serão encaminhadas para a preparação dos materiais da cúpula do BRICS, prevista para setembro.
"O BRICS não é apenas uma plataforma importante para a 'maioria global', mas talvez seja a única capaz de mudar a situação e propor uma nova forma de governança global. Hoje, resiliência e soberania são condições básicas para o desenvolvimento. A conectividade de transporte, as cadeias de suprimentos e os ecossistemas tecnológicos próprios são a estrutura da segurança econômica dos países do grupo", afirmou Victoria Panova, chefe do Conselho de Especialistas BRICS–Rússia.
O enviado especial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia e sous-sherpa do país no BRICS, Pavel Kniazev, destacou que o grupo alcançou o nível de parceria estratégica e obteve resultados expressivos. Segundo ele, os princípios fundamentais de cooperação do BRICS são importantes não apenas para os países-membros, mas também para a maioria dos Estados do mundo.
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Conselho de Especialistas BRICS–Rússia
O vice-chefe da missão da Embaixada da Índia na Rússia, Nikhilesh Giri, afirmou que a parceria tecnológica e o fortalecimento dos laços entre os países do BRICS abrem novas oportunidades para o desenvolvimento sustentável. Ele também defendeu a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
Na sessão dedicada ao transporte, especialistas da Rússia, dos Emirados Árabes Unidos e do Egito analisaram o Corredor Internacional de Transporte Norte–Sul e a Rota Marítima do Norte como alternativas às cadeias logísticas tradicionais.
"Redes resilientes devem ser diversificadas, contar com rotas alternativas, integração digital e capacidade de adaptação a crises", afirmou Nilanjan Ghosh, vice-presidente da Observer Research Foundation (ORF).
Na sessão sobre recursos, participantes da Índia, África do Sul, China e Irã discutiram o desenvolvimento do processamento de matérias-primas diretamente nas regiões de extração. Philani Mthembu, diretor-executivo do Instituto para o Diálogo Global (IGD, na sigla em inglês), em Pretória, destacou que a cooperação no âmbito do BRICS contribui para a formação, nos países africanos, de cadeias próprias de beneficiamento de matérias-primas e de produção com maior valor agregado.
Na sessão sobre tecnologias e inteligência artificial, Walter Desiderá Neto, pesquisador em relações econômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e coordenador do Conselho de Think Tanks do BRICS (BTTC) pelo Brasil, apontou a falta de infraestrutura computacional como uma das principais limitações ao desenvolvimento tecnológico. Ele propôs investimentos conjuntos em supercomputadores, redes e computação em nuvem.
"O BRICS deve elaborar princípios e valores comuns na área de IA, fazendo da infraestrutura digital uma base não apenas para a economia, mas também para a inovação", afirmou.
Shimellis Hailu Dessie, representante do Instituto de Relações Exteriores (IFA) da Etiópia, também defendeu a criação de padrões tecnológicos próprios do BRICS.
Ao longo das discussões, os participantes abordaram ainda a digitalização de portos e procedimentos aduaneiros, a gestão de riscos, o financiamento de projetos de infraestrutura pelo Novo Banco de Desenvolvimento, a transformação verde do setor de mineração, iniciativas educacionais, intercâmbio de especialistas, diplomacia pública e a relação entre cooperação tecnológica e energética nos países do grupo.
A conferência foi organizada pelo Conselho de Especialistas BRICS–Rússia em parceria com o centro analítico independente indiano Observer Research Foundation (ORF), no âmbito do Conselho de Think Tanks do BRICS (BRICS Think Tanks Council, BTTC).
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