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22.05.26 23:00
Economia

Projeto de hub de grãos em Omã e novas rotas logísticas ampliam oportunidades de cooperação entre BRICS e África, afirma especialista

Especialista destaca o papel de novos mecanismos financeiros, como a "Ponte BRICS", para aprofundar a cooperação com o continente

Foto: fotokostic / iStock

A criação de um hub de grãos em Omã poderá ampliar, no futuro, as exportações de grãos russos para países da África Oriental. Ao mesmo tempo, o serviço regular lançado na rota Novorossiisk–Lagos–Dacar já reduz o prazo de entrega de cargas para 21 dias. A avaliação foi feita pelo economista internacional russo Vitali Meliantsev, membro correspondente da Academia Russa de Ciências, em comentário exclusivo à TV BRICS.

"Uma primeira direção é a rota marítima direta Novorossiisk–Lagos. Esse projeto já entrou em fase prática. [...] Também se discute a criação de um terminal na zona econômica nigeriana de Lekki, o que deve consolidar a rota como um canal permanente de comércio. A segunda direção é o hub de grãos em Omã para fornecimentos à África Oriental. Em 2026, o projeto se encontra em fase de elaboração e negociações. A lógica é usar o Oriente Médio como ponto de transbordo para os grãos russos, com posterior entrega aos países da África Oriental"
Vitali Meliantsev

Vitali Meliantsev Membro correspondente da Academia Russa de Ciências, doutor em Economia e professor

O especialista destacou que os países do BRICS ampliam de forma consistente os instrumentos para reduzir barreiras comerciais com a África. Além de rotas marítimas diretas e hubs de grãos, o grupo desenvolve corredores de transporte, mecanismos financeiros e programas educacionais.

Entre as soluções logísticas, está a adoção de plataformas digitais integradas, como a indiana Bharat Africa Setu, iniciativa comercial e logística com participação do governo da Índia, criada com o objetivo de dobrar o comércio entre o país e a África até 2030. Meliantsev também citou alfândegas inteligentes sem documentação em papel, que aceleram a circulação de cargas.

"O Corredor Internacional de Transporte Norte–Sul conecta a Rússia, o Irã e a Índia, reduzindo o tempo de entrega de cargas para a África. [...] O Corredor Índia–Oriente Médio–Europa [IMEC] cria uma cadeia alternativa de suprimento via Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, aliviando a logística. Já os 'corredores minerais' são um projeto de cadeias diretas de fornecimento de matérias-primas críticas, como cobalto e cobre, da África para países do BRICS, com processamento local, e não apenas exportação do minério", explicou Meliantsev.

O professor classificou o desenvolvimento da infraestrutura financeira como uma etapa especialmente relevante. Segundo ele, o sistema de pagamentos "Ponte BRICS", baseado em moedas digitais de bancos centrais, cria uma alternativa aos mecanismos internacionais existentes, como o SWIFT. Meliantsev afirmou ainda que a África do Sul já testa pagamentos transfronteiriços por meio desse sistema.

O especialista também chamou atenção para a formação de mais de 30 mil estudantes africanos em universidades russas, especialmente nas áreas de engenharia, geologia e medicina, o que fortalece o potencial de recursos humanos do continente.

"A África recebe não teóricos, mas profissionais práticos: engenheiros de minas para a extração de recursos minerais, especialistas em irrigação para a agricultura, médicos e farmacêuticos. [...] Os formados não apenas retornam a seus países: eles se tornam transmissores de padrões e equipamentos russos. Muitos abrem laboratórios, implementam métodos russos de tratamento ou de manutenção de equipamentos. [...] Hoje, os formados em universidades russas compõem a base técnica de ministérios e empresas estatais de muitos países africanos, como Angola, Etiópia, Moçambique e Nigéria", acrescentou.

O economista também comentou a entrada do Egito e da Etiópia no BRICS, bem como a cooperação da Nigéria e de Uganda com o grupo, como fatores que podem acelerar o crescimento econômico desses países. A participação no BRICS abre acesso a financiamentos por meio do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o que ajuda a viabilizar projetos de infraestrutura e energia.

A Rússia continua sendo uma importante fornecedora de grãos e fertilizantes para a Tanzânia, a Nigéria e a Etiópia, contribuindo para fortalecer a segurança alimentar da região. Segundo o especialista, também se discute a modernização de um complexo metalúrgico na Nigéria com a participação de especialistas russos.

Meliantsev ressaltou que o BRICS não impõe regras externas, mas se integra às estruturas africanas existentes. Segundo ele, atenção especial é dada à sincronização dos mecanismos logísticos e financeiros do grupo com a Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) e blocos regionais, como o Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA) e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).


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