China encontra fóssil do mais antigo mamífero semiaquático conhecido
Descoberta revela adaptações para a natação e evolução incomum da dentição
Uma equipe de cientistas encontrou na China o fóssil de um mamífero do período Cretáceo Inferior com características associadas a um modo de vida semiaquático. Os pesquisadores acreditam que o animal seja o mais antigo mamífero conhecido com adaptações para nadar. A informação foi divulgada pelo Global Times, parceiro da TV BRICS, com base em dados da Universidade de Nanjing.
A espécie extinta Dongoconodon platycauda viveu há cerca de 125 milhões de anos. O animal apresentava membros dianteiros e traseiros com expansões laterais semelhantes às patas com membranas dos ornitorrincos atuais. Segundo os cientistas, essa característica sugere a possível presença de estruturas adaptadas ao deslocamento na água. A análise dos ossos dos dedos indicou que os membros podiam se abrir amplamente para os lados, aumentando a área de contato com a água e favorecendo o impulso durante a natação.
O fóssil também preservou pelo menos 19 vértebras da cauda. A estrutura indica que o órgão era achatado de cima para baixo, com características semelhantes às de animais semiaquáticos atuais, como o ratão-do-banhado. Os pesquisadores acreditam que essa adaptação ajudava no controle dos movimentos e na estabilidade do corpo durante a locomoção na água.
Além das características relacionadas à natação, a descoberta revelou um padrão incomum de substituição dos dentes do Dongoconodon platycauda. Enquanto a maioria dos mamíferos modernos possui apenas duas gerações de dentes ao longo da vida, o fóssil apresentou dentes em diferentes estágios de desenvolvimento.
Segundo pesquisadores da Universidade de Nanjing, o achado indica que características de desenvolvimento dentário semelhantes às observadas em répteis podem ter permanecido entre os primeiros representantes dos mamíferos. A descoberta sugere que a evolução da dentição desses animais foi mais complexa do que se acreditava anteriormente.