Cientistas chineses estão considerando a possibilidade de criar uma "fábrica de células" biológica a partir de algas verde-azuladas, cuja principal matéria-prima é o ar, e seu produto – toda uma variedade de compostos orgânicos.
As células de algas verde-azuladas, também conhecidas como cianobactérias, são um tipo de microrganismo unicelular, modificado pela biotecnologia sintética de edição do genoma. Com uma alta taxa de reprodução e excelente eficiência de fotossíntese, elas se "alimentam" do ar e podem produzir compostos orgânicos como glicose, sacarose, glicerol, resveratrol e curcumina, entre outros.
"Teoricamente, esse tipo de alga pode produzir todas as mesmas substâncias que as plantas na natureza", disse Ni Jun, pesquisador da Universidade Shanghai Jiao Tong.
De acordo com Ni, as fábricas de células que utilizam bactérias e leveduras modificadas têm sido amplamente utilizadas há décadas na medicina, na indústria química e na agricultura. Entre outras coisas, elas têm sido usadas para produzir insulina recombinante a partir da E. coli.
No entanto, o alto custo de matérias-primas, como a glicose, limita o desenvolvimento dessas fábricas de células. Ni encontrou uma solução no uso da fotossíntese para produzir os compostos. Ele optou por algas verde-azuladas, que podem recombinar-se na maioria dos genes de origem vegetal e podem ser facilmente modificadas, devido ao pequeno tamanho de seu genoma.
O cientista expressou sua esperança quanto à aplicação dessa tecnologia na produção industrial. Como exemplo, ele citou o resveratrol, um componente comum de produtos antienvelhecimento para a pele. Ele pode ser obtido de uvas e amendoim, mas o uso de algas verde-azuladas pode reduzir o ciclo de produção em 240 vezes para cada tonelada de produto, além de reduzir os custos em 50%-70%, segundo informa Xinhua News Agency, o parceiro da rede TV BRICS.
Fotografia: Xinhua News Agency