Cientistas criam reator que remove completamente corante da água em 90 minutos
Tecnologia mantém a eficiência mesmo após 15 ciclos de uso
Pesquisadores do Centro Científico e Educacional da Universidade Estatal do Sul dos Urais, parceira da TV BRICS, desenvolveram, em conjunto com colegas de outros países, um reator eletroquímico de fluxo contínuo para remover da água um corante têxtil persistente. A informação foi divulgada no site da universidade.
O equipamento foi projetado para decompor moléculas de corante que permanecem por longos períodos no meio ambiente e podem causar danos aos organismos aquáticos. Os cientistas propuseram tratar a água contaminada por meio de corrente elétrica.
Durante o processo, a água atravessa o reator, enquanto partículas ativas se formam na superfície de um eletrodo especial e decompõem as moléculas do corante.
"A principal diferença do nosso desenvolvimento é o formato de fluxo contínuo. A água não permanece apenas em um recipiente de laboratório, mas circula pelo reator. Isso aproxima o sistema das condições reais de tratamento de efluentes industriais", afirmou Vladislav Fadeev, jovem pesquisador da instituição.
Para o funcionamento do reator, os pesquisadores utilizaram um eletrodo de múltiplas camadas. Uma de suas camadas ativas foi modificada com hólmio, um elemento de terras raras. A incorporação desse material ajudou a aumentar a eficiência do tratamento e a preservar a atividade do eletrodo após sucessivos ciclos de uso.
Em testes de laboratório, a solução contendo o corante Reactive Black 5 perdeu completamente a coloração em 90 minutos. Mesmo após 15 ciclos de tratamento, a eficiência do sistema permaneceu praticamente inalterada.
A tecnologia poderá ser utilizada no desenvolvimento de sistemas compactos destinados à remoção de poluentes orgânicos persistentes da água.
O Reactive Black 5 é um dos corantes utilizados na coloração de tecidos. Essas substâncias aderem bem às fibras, característica que favorece seu uso na indústria. No entanto, ao chegar aos efluentes, o corante altera a coloração da água, dificulta a passagem da luz e pode prejudicar os organismos aquáticos.
Os métodos atuais de tratamento, como filtros, materiais adsorventes, ozônio e tecnologias de membranas, apresentam limitações. Alguns exigem materiais de reposição, manutenção complexa, alto consumo de energia ou a posterior destinação dos resíduos contaminados.
A próxima etapa da pesquisa será testar o reator em efluentes reais e otimizar ainda mais sua estrutura.
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