Novo método permite incorporar nanopartículas diretamente na estrutura do tecido, em vez de aplicá-las na superfície
Cientistas da Universidade Estatal de Tomsk, na Rússia, desenvolveram uma tecnologia para produzir uma nova classe de materiais têxteis sorventes. Esses tecidos podem absorver substâncias nocivas do ar, se autolimpar sob a ação da luz solar e ser utilizados para monitorar a saúde humana. A informação foi divulgada no site do Ministério da Ciência e Ensino Superior da Rússia.
"O diferencial da nossa abordagem é que não aplicamos o material sobre o tecido, mas o cultivamos diretamente em sua estrutura. Isso permite não apenas elevar o teor do polímero de coordenação metal-orgânico para 10% a 25% no compósito, como também fixá-lo de forma mais firme na estrutura do tecido", explicou uma das autoras do estudo, a estudante da Faculdade de Química da universidade, Valeria Lobanova.
Os polímeros de coordenação metal-orgânicos (MOF) constituem uma classe de materiais que ainda não é amplamente utilizada, pois apresentam forma pulverulenta e sua estrutura porosa não é plenamente aproveitada. Parte dessas limitações, no entanto, foi superada pelo estudo.
Os químicos da instituição obtiveram uma patente na Rússia para um método de imobilização, ou seja, de incorporação estável das partículas de MOF na estrutura do tecido. Nesse processo, um precursor é introduzido no material e, sob temperatura elevada em água ou solvente orgânico, ocorre a auto-organização do composto com o auxílio de moléculas ligantes. As nanopartículas de MOF se formam na superfície das fibras e nos espaços entre elas, garantindo alta estabilidade.
Como base, foram utilizados algodão e poliéster (polietileno tereftalato). Atualmente, os cientistas estão trabalhando com uma gama ampliada de tecidos.
Os pesquisadores testaram três tipos de polímeros. Um deles (Cu-HKUST) conferiu ao tecido propriedades sorventes para poluentes gasosos. Outro permite não apenas absorver substâncias nocivas, mas também neutralizá-las por meio de decomposição catalítica. Já o terceiro (MIL-100(Fe)) apresentou atividade fotocatalítica, ou seja, capacidade de decompor compostos orgânicos sob a ação da luz solar. Esse material foi utilizado para purificar água contaminada com fenol — composto empregado na produção de plásticos, antissépticos, medicamentos e corantes — em temperatura ambiente, com bons resultados. Além disso, pode ser sintetizado nessas mesmas condições, o que simplifica sua produção.
Segundo os autores, os materiais desenvolvidos podem ser utilizados na purificação da água e na criação de tecidos inteligentes capazes de absorver substâncias nocivas ou odores e, posteriormente, se autolimpar sob a ação da luz solar ou de radiação ultravioleta leve.
As nanopartículas de MOF incorporadas ao tecido também podem atuar como cápsulas para liberação de medicamentos no tratamento de doenças de pele, além de permitir o monitoramento da exposição a fatores nocivos no ambiente de trabalho e a coleta de dados sobre o estado de saúde das pessoas e do meio ambiente.
Pesquisas paralelas na área de tecidos funcionais também vêm sendo realizadas em outros países do BRICS.
No Irã, pesquisadores incorporaram nanopartículas antibacterianas diretamente na estrutura de fibras de poliéster, informa a Mehr News Agency, parceira da TV BRICS. O método preserva a resistência ao desgaste do material e adiciona propriedades antibacterianas. As nanopartículas interferem na atividade biológica dos microrganismos, impedindo seu crescimento e reprodução. O material também é resistente ao desenvolvimento de fungos. O tecido foi testado de acordo com padrões nacionais iranianos e demonstrou eficácia contra Staphylococcus aureus e Klebsiella pneumoniae, reduzindo a carga microbiana em pelo menos 99%. A tecnologia pode ser aplicada, por exemplo, na produção de capas para assentos de transporte público, roupas infantis, uniformes e roupas de cama.
Na Índia, pesquisadores do Instituto Indiano de Tecnologia (IIT) em Guwahati desenvolveram um tecido eletrocondutor autolimpante que converte eletricidade e luz solar em calor, segundo o site da instituição. Nanofios de prata (100 mil vezes mais finos que um fio de cabelo) foram aplicados sobre o algodão, permitindo aquecimento em baixa tensão sem risco de choque elétrico. Um revestimento hidrofóbico, inspirado na folha de lótus, protege o material contra oxidação, umidade e sujeira. O tecido mantém temperaturas entre 40 °C e 60 °C por mais de 10 horas e pode ser utilizado em roupas para ambientes frios, terapias térmicas para artrite, aquecimento de água e aceleração de reações químicas.
Na China, cientistas desenvolveram um revestimento polimérico autolimpante para tecidos que remove sujeira, gordura e bactérias apenas com água, sem necessidade de detergente. A informação foi divulgada pela Vietnam News Agency (VNA), parceira da TV BRICS. O material é obtido pela pulverização alternada de dois compostos, que formam uma camada hidratada densa na superfície do tecido. Diferentemente de tecnologias anteriores, sua eficácia não depende da luz nem se reduz após a secagem. Testes indicam que o revestimento mantém suas propriedades após mais de 100 ciclos de lavagem e pode reduzir o consumo de água e energia em cerca de 82%.