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Como funcionam exames finais e sistemas de ingresso nas universidades dos países do BRICS

Especialistas explicam os modelos de avaliação no Brasil, Índia, China, África do Sul e Emirados Árabes Unidos

Todos os países do BRICS adotam modelos próprios para avaliar o conhecimento e regulamentar o ingresso no ensino superior. Cada sistema reflete as particularidades da educação nacional, da infraestrutura e das expectativas sociais de cada país.

Brasil: ENEM como alternativa aos testes tradicionais

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é a principal porta de entrada para a maioria das universidades brasileiras. A prova é composta por 180 questões em cinco áreas — língua portuguesa, língua estrangeira, matemática, ciências humanas e ciências da natureza — além de uma redação.

Aleksandra Nazarova, especialista da Universidade Financeira do Governo da Rússia, explicou à TV BRICS as características do exame.

"O ENEM é um exame padronizado, mas não obrigatório. Muitas universidades exigem uma prova interna e uma carta de motivação, mas o ENEM é um diferencial importante para a obtenção de bolsas de estudo", afirmou.

Nadejda Gluchkova, professora assistente da Universidade Financeira, esclarece que os resultados do ENEM têm validade de dois anos.

"Algumas universidades estrangeiras, especialmente em Portugal, reconhecem os resultados do exame. Os documentos são enviados por meio do sistema eletrônico SISU — semelhante ao portal russo", explicou à rede internacional.

Para adultos, existe o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA), que permite concluir o ensino médio e posteriormente prestar o ENEM.

"Também há o sistema de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), voltados à certificação acelerada para quem não concluiu a educação básica", acrescentou o sociólogo Marcelo Barboza Duarte.

China: gaokao — exame que define destinos

O gaokao (高考) é considerado um dos exames mais difíceis do mundo. Realizado uma vez por ano, ele inclui disciplinas obrigatórias — como chinês, matemática e inglês — e matérias eletivas. O desempenho no exame determina o acesso à universidade e impacta diretamente o status social do candidato.

Anastasia Simonova, do Conselho de Cultura do Parlamento Jovem da Duma russa, destacou esse aspecto à rede.

"Se um estudante vai mal no gaokao, ele perde a chance de entrar em uma universidade chinesa. A sociedade tende a enxergá-lo negativamente. Sem um diploma de prestígio, é difícil conseguir emprego", explicou.

Exames adicionais existem apenas para cursos criativos. É raro que adultos tentem fazer o gaokao por falta de cursos preparatórios adequados.

"A aprovação pode influenciar significativamente o status social. Algumas universidades, como a de Pequim, exigem também provas internas. Já candidatos pertencentes a minorias étnicas têm direito a um dia extra de prova em sua língua nativa", acrescentou Gluchkova.

Índia: sistema diversificado com múltiplos exames

A Índia não conta com um exame nacional unificado, mas existem diferentes provas específicas.

Meenu Bhatnagar, professor assistente no Centro de Estudos Russos da Universidade Jawaharlal Nehru, afirmou em comentário exclusivo à TV BRICS que a Índia introduziu recentemente o CUET (Combined University Entrance Test / Exame Comum de Ingresso em Universidades), criado pela Comissão de Subvenção Universitária, como exame unificado para estudantes que desejam ingressar em universidades e faculdades financiadas pelos governos federal e estadual, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado.

"Antes, cada universidade aplicava sua própria prova ou aceitava as notas finais do 12º ano", acrescentou.

"O JEE (Joint Entrance Examination / Exame Conjunto de Ingresso) é um exame difícil e prestigiado para áreas técnicas, enquanto o NEET (National Eligibility cum Entrance Test / Teste Nacional de Elegibilidade) é obrigatório para cursos de medicina. Ambos têm restrições de idade e número limitado de tentativas. O CUET é uma alternativa para quem não foi aprovado nas provas específicas", explicou Aleksandra Nazarova.

Adultos também podem se candidatar a programas alternativos de acesso, embora ainda não existam padrões unificados para esse tipo de ingresso.

África do Sul: certificado NSC e caminhos flexíveis

O NSC (National Senior Certificate) é o exame final obrigatório na África do Sul. Ele pode ter foco acadêmico (para ingresso em universidades) ou técnico (voltado ao ensino profissional). As disciplinas obrigatórias incluem língua materna, matemática (ou sua versão aplicada) e a matéria "orientação para a vida", que trata de saúde, cidadania e habilidades práticas.

"O conteúdo do exame em escolas privadas pode ser definido por conselhos de avaliação independentes, mas o exame básico é obrigatório para todos. Os critérios de admissão variam: algumas universidades aceitam apenas os resultados do NSC; outras exigem exames adicionais, como o National Benchmark Tests, que avalia o nível de preparação acadêmica em disciplinas-chave", afirmou Irina Filatova, professora emérita da Universidade de KwaZulu-Natal.

Ndivhuho Tshikovhi, da Universidade de Tecnologia de Durban, complementou dizendo que, após o NSC, os estudantes podem seguir para programas de bacharelado, diploma ou cursos técnicos.

"Adultos têm a opção do Amended Senior Certificate — uma versão atualizada do certificado escolar — ou podem recorrer ao reconhecimento de experiência prévia (Recognition of Prior Learning) e aos programas preparatórios Foundation Programs", explicou ele em uma conversa com a TV BRICS.

Emirados Árabes Unidos: flexibilidade de sistemas internacionais

Toufik Belmamoun, diretor de admissões da Universidade de Wollongong em Dubai, explicou que os Emirados não possuem exame nacional unificado. Os candidatos apresentam diplomas internacionais — como A-levels (Advanced Level / Nível Avançado do sistema educacional britânico), IB (International Baccalaureate / (Bacharelado Internacional), além de certificados indianos ou norte-americanos. Também é realizado o teste padronizado EmSAT (Emirates Standardized Test / Teste Padronizado dos Emirados).

"A vantagem é a flexibilidade: são aceitos vários documentos, os resultados de testes de idioma valem por dois anos, e também são considerados portfólios, cartas de motivação e desempenho escolar. Isso reduz o estresse dos candidatos", disse ele à TV BRICS.

Além disso, há programas noturnos, cursos preparatórios e formas alternativas de ingresso, como seleções baseadas em talentos esportivos ou artísticos.

Semelhanças e diferenças

Todos os sistemas educacionais do BRICS buscam garantir o acesso ao ensino superior. No entanto, como destaca Nadejda Gluchkova, "ao contrário da Rússia, onde vencedores de olimpíadas escolares podem ingressar na universidade sem prova, na maioria dos países do grupo ainda não existem tais práticas. No entanto, concursos, testes internos, portfólios e entrevistas são comuns".

Assim, entre os países do BRICS, há diferentes abordagens para a avaliação do conhecimento e os processos de seleção para ingresso no ensino superior. Apesar das variações na duração dos exames, na possibilidade de reaplicação ou na existência de testes especializados, o objetivo é o mesmo: identificar e apoiar aqueles que estão preparados para a vida universitária. Cada um desses caminhos segue uma lógica própria, moldada pela história, pela sociedade e pelas tradições educacionais de cada país.

Fotografia: iStock