Líderes do BRICS adotam declaração marcando avanço de nova ordem internacional
Eles apresentaram ideias para reforma do sistema de governança global, aprofundamento da cooperação comercial, combate às consequências das mudanças climáticas e desenvolvimento cultural
O Rio de Janeiro sediou a sessão plenária da cúpula do BRICS com o tema "Paz e Segurança e Reforma da Governança Global". Ao final do encontro, os participantes aprovaram uma declaração conjunta.
A reunião foi aberta pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, ele lembrou que esta é a quarta vez que o país sedia a cúpula do grupo.
"Se a governança internacional não reflete a nova realidade multipolar do século XXI, cabe ao BRICS contribuir para sua atualização. Sua representatividade e diversidade o torna uma força capaz de promover a paz [...]. [Desse modo], podemos lançar as bases de uma governança revigorada"![]()
Luiz Inácio Lula da Silva Presidente do Brasil
O presidente da Rússia Vladimir Putin também participou do encontro por videoconferência. Ele frisou que a autoridade e a influência do BRICS no mundo vêm crescendo a cada ano.
"Nosso grupo se expandiu significativamente e agora inclui países líderes da Eurásia, África, Oriente Médio e América Latina. Juntos, reunimos um imenso potencial político, econômico, científico-tecnológico e humano"![]()
Vladimir Putin Presidente da Rússia
O líder russo reiterou ser necessário ampliar o uso de moedas nacionais nas transações entre os países. Segundo ele, a criação de um sistema independente de compensação e de pagamentos no âmbito do BRICS permitirá tornar as transações cambiais mais rápidas, eficientes e seguras. Essa proposta também está refletida na declaração final.
"Saudamos o foco do Mecanismo de Cooperação Interbancária do BRICS [ICM, em inglês] em facilitar e expandir práticas financeiras inovadoras e abordagens para projetos e programas, incluindo a busca por mecanismos de financiamento em moedas locais aceitáveis", diz o documento.
Putin também ressaltou a importância de o Brasil dar continuidade às iniciativas propostas pela Rússia em 2024, como a Bolsa de Grãos do BRICS, o centro de pesquisas climáticas, a plataforma logística permanente e os programas de cooperação esportiva. Ele expressou confiança de que a declaração final da cúpula estabelecerá uma boa base para ações futuras conjuntas em espírito de cooperação igualitária.
O documento insta por uma reforma do Conselho de Segurança da ONU. Essa necessidade também foi abordada pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em seu discurso durante a sessão plenária.
"A expansão do BRICS e a adesão de novos parceiros ao grupo provam que este é um grupo capaz de se adaptar ao tempo. Agora precisamos demonstrar a mesma determinação para reformar outras instituições, incluindo o Conselho de Segurança da ONU, a OMC [Organização Mundial do Comércio] e os bancos multilaterais de desenvolvimento"![]()
Narendra Modi Primeiro-ministro da Índia
Em concordância com essa posição, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, também defendeu a reforma. Além disso, ele destacou que a ampliação do BRICS abre novas oportunidades para fortalecer o comércio mútuo, o intercâmbio tecnológico e a cooperação na economia verde.
Ramaphosa dedicou atenção especial ao combate ao terrorismo, enfatizando o compromisso da África do Sul com a implementação integral da estratégia do BRICS para enfrentamento ao terrorismo. Na declaração final, os líderes também condenaram o atentado terrorista ocorrido na Índia em 22 de abril de 2025, no qual 26 pessoas morreram, e apelaram pela rápida finalização e adoção, pela ONU, de uma convenção abrangente sobre o combate ao terrorismo internacional.
O primeiro-ministro do Egito, Mostafa Madbouly, destacou as áreas prioritárias de cooperação no grupo ampliado: integração econômica, energia, infraestrutura e cooperação financeira, incluindo pagamentos em moedas nacionais, fortalecimento do papel do Novo Banco de Desenvolvimento, ou Banco do BRICS, e novas tecnologias.
Um dos pontos de maior destaque da declaração final foi o desenvolvimento da inteligência artificial.
"Para apoiar um debate construtivo em direção a uma abordagem mais equilibrada, lançamos a Declaração dos Líderes do BRICS sobre Governança Global da Inteligência Artificial, que visa a promover o desenvolvimento, a implantação e o uso responsáveis de tecnologias de IA para o desenvolvimento sustentável e o crescimento inclusivo", afirma o documento.
Além disso, os países-membros reconheceram a importância de dar continuidade à iniciativa da Bolsa de Grãos do BRICS, concordaram em criar o Conselho Espacial do BRICS e expressaram apoio à presidência rotativa da Índia no grupo, que terá início no próximo ano, 2026, e à realização da XVIII Cúpula do BRICS em território indiano.
Fotografias: Alexandre Durão / Brics Brasil / flickr.com
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