Países do BRICS devem ampliar troca de experiências na agricultura, afirma especialista
Professor do Instituto de Pesquisa do BRICS explica como ciência e cooperação ajudam agricultores a se adaptar às mudanças climáticas
Para apoiar de forma eficaz os agricultores diante dos impactos das mudanças climáticas, é necessário contar com uma base científica sólida, que inclua testes laboratoriais, experimentos de campo e análises socioeconômicas. Os países do BRICS devem ampliar o intercâmbio de práticas bem-sucedidas, e as soluções voltadas aos produtores rurais precisam ser desenvolvidas com base em pesquisas científicas. A avaliação foi feita por Phokela Maponya, professor do Instituto de Pesquisa do BRICS, em Pretória, no programa BRICSdiálogo, da TV BRICS.
Segundo Maponya, na África do Sul, assim como em outros países do BRICS, há uma divisão clara entre diferentes tipos de produtores agrícolas. Agricultores com mais recursos utilizam ativamente sistemas de previsão do tempo, fazem seguro das lavouras e administram os recursos hídricos, o que os ajuda a lidar com riscos climáticos. Já pequenas propriedades familiares, com menos acesso a recursos, recorrem a diferentes estratégias de adaptação.
"O que eles fazem? Durante meu trabalho, percebi que alguns, às vezes, passam do cultivo agrícola para a pecuária. Em outros casos, fazem o caminho inverso, da pecuária para a agricultura. Alguns também ajustam o calendário de plantio para se adaptar. Outros adotam estratégias de gestão da água, como a coleta de água da chuva, inclusive a partir dos telhados. Essas são apenas algumas das estratégias que utilizam para se adaptar ao máximo à variabilidade climática", explicou o especialista.
O professor destacou que o apoio aos agricultores não é possível sem uma base adequada de pesquisa. Ele afirmou que o Conselho de Pesquisa Agrícola mantém laboratórios especializados, onde são estudados problemas relacionados à produtividade, pragas e doenças.
"Essa é uma etapa obrigatória antes da aplicação prática. Depois dos estudos em laboratório, realizamos testes em campo antes de ampliar as soluções para as comunidades, o que permite verificar a eficácia de abordagens específicas. Também fazemos avaliações socioeconômicas. Incentivamos os agricultores a pensar não apenas na produção, mas também na produção voltada à comercialização. Uma parte significativa da colheita se perde após a coleta. Interagimos com as comunidades, fazemos perguntas e conduzimos avaliações para identificar lacunas. Podem ser, por exemplo, lacunas de capacitação, já que alguns agricultores não têm preparação suficiente. Identificar essas deficiências educacionais é uma condição necessária para garantir participação e apoio", afirmou Maponya.
De acordo com o especialista, os serviços de extensão rural desempenham um papel importante na disseminação de soluções científicas, pois conectam organizações de pesquisa e comunidades locais. Após a aplicação prática das medidas, os especialistas avaliam seus efeitos de longo prazo, enquanto os agricultores recebem recursos, capacitação e orientações sobre a escolha de mercados com base nos dados coletados.
Maponya também afirmou que os países do BRICS devem aprender uns com os outros. Segundo ele, alguns Estados, em especial o Brasil, alcançaram avanços importantes na área de segurança alimentar, e essa experiência pode ser útil para outros integrantes do grupo. Atualmente, pesquisadores da África do Sul estudam os pontos fortes da Rússia nesse setor, uma das razões para a criação do Instituto de Pesquisa do BRICS.
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