VR e AR: tecnologias chinesas na educação
Quais outros países do BRICS estão integrando VR e AR aos seus sistemas educacionais e com quais desafios enfrentam? Leia na matéria da TV BRICS.
Realidade virtual nas escolas da China
Uma das razões do avanço tecnológico da China na área de realidade virtual está no fato de que as crianças crescem literalmente em um ambiente permeado por ferramentas de VR e AR. Já nas escolas, os alunos chineses utilizam tecnologias de ponta para visualizar animações em 3D em livros de anatomia.
Como a realidade virtual (VR) e a realidade aumentada (AR) são capazes de conectar os mundos digital e físico, as possibilidades educacionais tornam-se praticamente ilimitadas. É possível, por exemplo, imaginar um cenário em que se aprende sobre o Universo ao percorrê-lo virtualmente ou realizar experimentos complexos de física e química que não seriam viáveis em laboratórios escolares convencionais.
"VR e AR são ferramentas poderosas de aprendizagem heurística e interativa, tornando conceitos abstratos tangíveis e criando ambientes imersivos e envolventes. O aprendizado imersivo e experimental com VR pode transportar estudantes para laboratórios virtuais, locais históricos ou culturais ou mundos microscópicos; a AR sobrepõe modelos 3D a livros didáticos ou mesas, transformando a leitura passiva em exploração ativa", afirmou Mark Howard Levin, especialista em sociologia e filosofia.
O objetivo desses programas, implementados em todas as escolas da China, não é apenas tornar as aulas mais interessantes. A realidade virtual também contribui para melhorar a retenção do conhecimento.
Benefícios das tecnologias VR e AR na educação
A adoção crescente de tecnologias de realidade virtual e aumentada ultrapassa a tradicional lógica educacional baseada em recompensas e punições. Segundo o professor Mark Howard Levin, da Universidade Minzu da China, com base em dados do Ministério da Educação chinês, há diversos benefícios na integração dessas tecnologias ao currículo escolar:
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Desenvolvimento da motivação intrínseca. Os estudantes aprendem por curiosidade, e não por notas ou recompensas. Assim, forma-se o hábito de aprender;
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Desenvolvimento do pensamento crítico e da criatividade. VR e AR estimulam a formulação de perguntas e a resolução de problemas, promovendo o pensamento divergente em vez da memorização mecânica;
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Aumento do engajamento. A participação ativa e a exploração aprimoram a concentração e a memória de longo prazo;
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Desenvolvimento de habilidades sociais. O trabalho em grupo ensina a cooperar, atuar em equipe e interagir com os colegas;
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Apoio à aprendizagem personalizada. As tecnologias de VR e AR adaptam-se ao ritmo individual, às habilidades e aos interesses de cada aluno, reduzindo ao mínimo o uso de abordagens padronizadas no ensino.
Apoio estatal
As tecnologias de realidade virtual na educação, que se tornaram praticamente onipresentes na China, desenvolvem-se sob forte apoio estatal. Em 2018, o Ministério da Educação da China incluiu o desenvolvimento dessas tecnologias entre as prioridades da informatização da educação. Universidades, escolas primárias e secundárias, bem como instituições de ensino profissional, devem implementar tecnologias de VR e AR, além de inteligência artificial, no processo educacional.
O principal motor para o desenvolvimento do mercado de VR na educação foi uma reforma em larga escala das escolas públicas. A substituição do modelo educacional tradicional por um modelo heurístico e interativo exigiu a implementação generalizada de tecnologias avançadas. A plataforma nacional de educação inteligente, lançada em 2022, reúne mais de mil recursos para aulas em realidade virtual e aumentada destinados ao ensino fundamental e médio.
No que diz respeito aos equipamentos, eles são fornecidos às escolas chinesas por cinco grandes empresas, que atuam como provedoras de hardware de VR, software ou treinamentos práticos em realidade virtual. Em geral, as salas de aula são equipadas com dispositivos e tablets com realidade aumentada de fácil utilização. Tudo isso permite criar laboratórios virtuais, realizar excursões imersivas à Grande Muralha da China ou às cavernas de Mogao, visitar antigas capitais ou o espaço, reconstruir eventos históricos, relevos geográficos, constelações e sistemas climáticos.
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No documento fundamental "Educação da China na Era da Modernização 2035", destaca-se a necessidade de promover uma integração profunda, e não superficial, entre as tecnologias da informação e o processo educacional. O programa também estabelece a diretriz de criação de plataformas integradas de educação inteligente, destinadas a fornecer todo o suporte técnico necessário para a concretização dos objetivos de modernização do sistema educacional. Nesse contexto, o foco conceitual e prático central é o desenvolvimento dos chamados campi inteligentes.
Os campi inteligentes são espaços educacionais de um novo tipo, que representam um sistema tecnológico integrado, no qual diferentes tecnologias modernas (inteligência artificial, internet das coisas e grandes dados) são combinadas para formar um ecossistema digital. Funcionando, essencialmente, como cidades inteligentes em miniatura, esses campi incorporam ativamente tecnologias de realidade virtual e aumentada, transformando o processo educacional e a gestão das instituições de ensino. Universidades e escolas chinesas investem significativamente na criação desses campi do metaverso e de gêmeos digitais das instituições para formar um ambiente de aprendizagem imersivo. Além disso, no futuro, a China aposta na chamada realidade estendida (XR) na educação, que integra VR, AR e realidade mista (MR).
Implementação de VR e AR na educação em outros países do BRICS
Sem dúvida, a China ocupa uma das posições de liderança no mundo na implementação de tecnologias de realidade aumentada e virtual na educação.
No entanto, a introdução de VR e AR na educação também avança em outros países do BRICS. Na Índia, por exemplo, em 2023, o volume do mercado de AR e VR foi estimado em quase US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões). Espera-se que até 2032 ele cresça a um ritmo elevado de aproximadamente 38,3%, impulsionado pela adoção dessas tecnologias no setor educacional. As tecnologias de VR e AR na Índia já são amplamente utilizadas no ensino médico, em simulações de engenharia e na educação agrícola para superar a escassez de recursos.
O Brasil apoia iniciativas que promovem a implementação de VR na educação escolar, superior e profissional. Ênfase especial é dada à área STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), bem como à saúde e ao desenvolvimento de competências. Parcerias público-privadas financiam laboratórios virtuais e programas imersivos.
A Rússia, segundo especialistas, implementa principalmente tecnologias de VR e AR na educação em ciências naturais, tecnologia, engenharia e matemática. Ao mesmo tempo, também se dá ênfase a laboratórios virtuais e à educação histórico-cultural.
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Na África do Sul, a implementação de VR e AR no ensino superior e na educação a distância está ganhando força, afirmam especialistas. Além disso, o governo sul-africano concentra esforços na superação de problemas de infraestrutura relacionados ao acesso à educação de qualidade em áreas rurais.
"Mais de 200 escolas na África do Sul implementaram AR/VR. O financiamento estatal totalizou cerca de 1,5 bilhão de rands sul-africanos (cerca de R$ 405 milhões), incluindo infraestrutura digital e formação de professores. AR/VR é amplamente utilizado em aulas de ciências naturais e matemática para melhorar a assimilação do conteúdo", afirmou em entrevista à TV BRICS o especialista em sociologia e filosofia, professor da Universidade Minzu da China, Mark Howard Levin.
Perspectivas de VR e AR na educação
A implementação de tecnologias de VR e AR em escolas, faculdades e universidades dos países do BRICS poderia contribuir para a padronização da qualidade da educação nos países do grupo, afirmam especialistas. No entanto, as tecnologias avançadas também apresentam riscos potenciais.
"Existem riscos de aumento da desigualdade devido a diferentes níveis de acessibilidade, à excessiva comercialização das tecnologias educacionais e à formação de dependência de plataformas proprietárias (cujos direitos de propriedade intelectual pertencem a desenvolvedores específicos e não estão disponíveis para uso livre). Mas o maior risco está relacionado à implementação de tecnologias sem considerar os aspectos pedagógicos", afirmou Aleksander Titov, especialista em economia digital e desenvolvimento tecnológico.
Por isso, consideram os especialistas, a implementação ativa de AR e VR na educação deve ocorrer sob controle dos Estados. O sucesso dependerá da capacidade de alinhar as tecnologias com os objetivos educacionais nacionais e de garantir acesso igualitário aos novos produtos pedagógicos, mesmo nas regiões mais remotas. Nesse contexto, a introdução de AR e VR na educação pode se tornar um importante motor de crescimento da economia digital nos países do BRICS.
Este artigo foi elaborado por Svetlana Khristoforova.
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