Canal de Pinglu, na China, deve fortalecer conexões comerciais com ASEAN
Nova rota hidroviária reduzirá a distância até o mar e ampliará oportunidades logísticas para o sudoeste chinês
A China deve colocar em operação, em setembro, o Canal de Pinglu, uma nova rota hidroviária que conectará regiões do sudoeste do país aos mercados internacionais e ampliará as oportunidades de comércio com os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). A informação foi divulgada pelo Global Times, parceiro da TV BRICS.
Com 134,2 quilômetros de extensão, o canal, localizado na Região Autônoma de Guangxi Zhuang, ligará os sistemas fluviais Xijiang e Qinjiang ao Golfo de Beibu. A infraestrutura permitirá que cargas de áreas do interior cheguem ao mar pelo porto de Qinzhou, reduzindo a dependência de trajetos mais longos.
O projeto integra o Novo Corredor Internacional de Comércio Terrestre-Marítimo, iniciativa voltada a conectar regiões do interior da China às rotas marítimas internacionais. Após entrar em operação, o Canal de Pinglu deverá reduzir em cerca de 560 quilômetros a distância por vias fluviais até o mar em comparação com o trajeto por Guangzhou.
A hidrovia foi projetada para receber embarcações de até 5 mil toneladas, criando uma nova conexão de transporte fluvial-marítimo para importantes centros econômicos de Guangxi e com potencial de expansão para províncias vizinhas.
A expectativa é que a nova infraestrutura reduza os custos de transporte de cargas e aumente a eficiência logística industrial. O volume de transporte fluvial pelo canal pode chegar a cerca de 5 milhões de toneladas em 2026 e crescer para aproximadamente 40 milhões de toneladas em 2027.
O projeto também deve fortalecer os vínculos econômicos entre a China e os países da ASEAN. O Golfo de Beibu já possui conexões marítimas com portos do Sudeste Asiático, e a nova rota permitirá ampliar esse acesso para regiões mais profundas do interior chinês.
O Vietnã está entre os países que podem se beneficiar da infraestrutura. Segundo Vu Luc, vice-cônsul do Consulado-Geral do Vietnã em Nanning, o canal poderá facilitar a entrada de produtos agrícolas vietnamitas nos mercados chineses.
Atualmente, o país fornece à China grandes volumes de frutas, arroz, café e produtos aquáticos. A nova hidrovia poderá ampliar as alternativas de transporte, especialmente em períodos de alta demanda, quando as rotas terrestres enfrentam maior pressão.
A entrada em operação do canal ocorre em um período de aprofundamento da cooperação entre a China e os países da ASEAN, no âmbito da atualização da Área de Livre Comércio China-ASEAN 3.0.